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Segundo Cérebro

Por que a gente escreve tudo em Markdown

Ata, decisão, roteiro de sessão e este post. Na Clariá quase tudo é arquivo de texto puro, e o motivo que mais pesou tem a ver com IA.

Por Mário Guedes

20 out 2026 · 2 min de leitura

Quem abre a pasta de trabalho da Clariá acha pouco documento do Word e quase nenhuma apresentação editável. O que aparece é arquivo .md: ata de reunião, decisão interna, roteiro de sessão com cliente, coisa que a gente aprendeu num projeto. Este post também é um arquivo desses.

Markdown é texto puro com uns poucos sinais para dar forma. Título é uma linha que começa com #, negrito fica entre ** e item de lista começa com -. Uma anotação de reunião fica mais ou menos assim:

# Reunião de segunda

- Fechamos o escopo do bloco 2
- **Pendente:** confirmar a data da próxima sessão

O arquivo continua nosso

Um .md abre em qualquer editor, em qualquer computador, sem conta e sem assinatura. Se a ferramenta que a gente usa hoje sumir, os arquivos ficam onde estão e continuam legíveis. Se o conteúdo morasse dentro de um aplicativo, o acesso ao nosso próprio trabalho dependeria do preço e das regras dele.

A IA lê o arquivo direto

Foi o motivo que mais pesou. Boa parte do nosso trabalho é pedir para a IA ler o que a gente já escreveu: resumir uma ata, achar uma decisão de três semanas atrás, cruzar o que o cliente disse em duas reuniões. Com texto puro, ela abre o arquivo e lê. Não passa por exportação nem por uma conversão que come a tabela ou o comentário pelo caminho.

Na nossa experiência, a resposta da IA melhora mais quando a gente organiza as pastas do que quando reescreve o pedido.

Escrever fica mais rápido

Não tem botão de formatação nem estilo para escolher. Depois de uma semana os sinais viram automáticos, e dá para escrever sem tirar a mão do teclado.

O que fica de fora

Status de tarefa, prazo e valor de orçamento moram numa ferramenta de gestão, porque mudam toda semana e precisam de filtro e de quadro. No Markdown vai o que foi pensado e decidido.

Onde ele atrapalha

Tabela em Markdown é chata de editar, o visual é cru, e cliente nenhum quer receber um .md. Para o cliente a gente gera PDF ou apresentação a partir do texto, e o arquivo continua sendo a fonte.

Uma pasta de arquivos que a IA consegue ler é o começo do que a gente chama de segundo cérebro, mas isso fica para outro post.

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